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sexta-feira, 29 de julho de 2011

O maestro, o amor e a doação

Aprendi, outro dia que perdoar é a junção de “per” com “doar”. Doar é mais do que dar. Doar é a entrega total do outro.
O prefixo “per”, que tem várias acepções, indica movimento no sentido de ou em direção a, ou através, ou para; etimologicamente falando, portanto, perdoar quer dizer doar ao outro a possibilidade de que ele possa amar, possa doar-se. Não apenas quem perdoa que se doa através do outro.
Perdoar implica abrir possibilidades de amor para quem foi perdoado, através da doação oferecida por quem foi agravado.
Perdoar é a única forma de facilitar ao outro a própria salvação. Doar é mais do que dar: é a entrega total...
Perdoar é doar o amor, é permitir que a pessoa objeto do perdão possa também devolver um amor que, até então, só negara ...
Foi com esta citação do imortal Arthur da Távola, que teve início, na noite de ontem, a esplendorosa apresentação do maestro João Carlos Martins e a Orquestra Bachianas Filarmônica, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza. A citação logo me evocou a lembrança do Frei Hermínio Bezerra e seu incansável estudo sobre a formação, deformação e origem das palavras em sua coluna semanal, às segundas-feiras no Diário do Nordeste.
A agradável companhia da prima Ionele Puster, logo acrescida pela encantadora presença, em nosso camarote, da "rainha" Juliana, que tornou a noite mais deleitável e a espera muito mais prazerosa. Só faltou a Miren para a noite ser mais completa.
Nascido em 1940, João Carlos Martins, o maior intérprete das obras de Bach, atualmente, é um exemplo de superação e resistência para todos nós, por ter vencido múltiplos acidentes e obstáculos para dedicar-se à música até os dias de hoje.
O espetáculo, beneficente, objetivou oferecer esperanças e novas perspectivas de tratamento aos pacientes com doença renal crônica da Fundação do Rim, no Meireles, em Fortaleza.
O repertório incluiu Mozart, Bethoven, Brahms, Villa Lobos e Astor Piazzolla. A Orquestra, literalmente, abriu espaços para apresentações ao piano do maestro, apesar dos limitados movimentos de uma das mãos.
Ao palco, João Carlos Martins trouxe membros da Escola de Samba Vai Vai, de São Paulo, cujo samba enredo de 2011 homenageou o maestro. O simpático "bocão" e seu choro da cuíca foi um show à parte. Os ritmistas da Escola de Samba fizeram a alegria do público com o acompanhamento de obras de Bach, Brahms e o primeiro movimento da Quinta Sinfonia de Bethoven.
Ênio Morricone ficou reservado para a surpresa final. E até o sucesso popular Trem das Onze, de Adoniram Barbosa, imortalizado pelo Grupo Demônios da Garoa, foi tocado pela fantástica Orquestra Bachianas Filarmônica, regida pelo maestro e cantada pelos mais de 700 presentes.
Um espetáculo imperdível e inesquecível e que valeu pelo que se viu, se ouviu e se viveu e também pelo fato de se poder dizer: "Eu fui, eu ajudei", Fundação do Rim, Semeando o Futuro (85) 3261.6122.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E o meio ambiente atravessou o samba do progresso a qualquer preço

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*


No meio ambiente existe o bloco dos ´amigos da natureza' que às vezes não mede os riscos ao atravessar o samba do bloco dos 'amigos do progresso a qualquer preço'. Alguns chegam a ser eliminados do espetáculo. Entre os problemas dos ´amigos da natureza´ está a dificuldade em cantar o mesmo samba juntos. Os 'amigos do progresso a qualquer preço´ adoram isso, por que ganham com a confusão. Entre os ´amigos da natureza´ tem alguns que também adoram uma confusão, por que o negócio é aparecer e assim aumentar as chances de ganhar alguns minutos de fama, ou mesmo uma boquinha, um carguinho ou verbinhas para seus projetos. Às vezes criam dificuldades para negociar facilidades e exageram nas gorduras dos gestos, dos gritos e das reivindicações para na hora do reparte não ter de cortar nas carnes. Tem outros que acreditam tanto no consenso que acabam flertando com o 'inimigo'. Quando descobrem que foram enganados - geralmente tarde demais para o meio ambiente - , migram para o bloco dos 'ressentidos', ou do ´Vai dar merda`, ou do ´Eu avisei ´.

A platéia costuma assistir ao espetáculo entre uma mastigada e outra no jantar, entre uma ou outra noticia de bala perdida, seqüestro relâmpago, nada que tire o sono, pois logo a seguir vem a novela, depois o futebol ou o BBB. Quando a turma dos 'inimigos do meio ambiente' atravessam o samba logo entra em cena o bloco do "Deixa Comigo que já estou cuidando de tudo", e tem a turma da 'Diretoria' que aposta no quanto pior para o meio ambiente melhor, por que significa que mais um TAC vai ser negociado entre um vôo de jatinho e outro, e sempre sobra uma vantagenzinha para engordar o caixa ou o prestigio eleitoral.

Audiência publica nem precisa, pois só serve para que os que vão sofrer as conseqüências saibam o tamanho do desastre ambiental que irá se abater sobre eles. Afinal, não é uma perereca ou um bagre ridículo, ou algum índio emplumado ou meia dúzia de plantadores de alface que irão atrapalhar o espetáculo do progresso a qualquer preço pelo bem do Brasil e dos brasileiros! Claro, sempre dá para descolar uma almofada como medida mitigadora para aliviar a dor das tragédias.

Azar é quando uma das alegorias do bloco do ´progresso a qualquer preço´ quebra no meio da avenida. É um corre corre para abafar a situação e não deixar que o incidente atrapalhe o espetáculo do crescimento. Nessa hora, entra na avenida a tropa de choque dos foliões dos blocos dos 'Nada a Declarar', 'Fica tranqüilo que o problema já foi resolvido', 'Já abri um inquérito para apurar as responsabilidades', 'Já multamos em milhões e estamos negociando um TAC'. Tudo perfeitinho como manda o figurino. E aí é só apostar para que o problema suma logo das vistas do público por que aí a mídia vai se desinteressar rapidamente e assim, tudo volta ao normal, e o samba pode retomar o ritmo do 'vamos em frente enquanto tem meio ambiente'.

Os únicos chatos que não esquecem são alguns ´amigos da natureeza´ biodesagradáveis, mais conhecidos por ecochatos, que deveriam ser coerentes e voltar a andar nus, morar em cavernas e usar a luz das fogueiras. Mas não, essa gentinha gosta mesmo é de reclamar e atrapalhar, e é ajudada por um tipo de imprensa que só gosta de noticia ruim! Parece quem tem uma especial predileção para o que não dá certo. Não adianta imprimir relatórios de sustentabilidade em papel reciclado, neutralizar as emissões de carbono plantando árvores, nada parece deixar esse pessoalzInho satisfeito.
Ainda bem que existe o bloco dos 'contentes' para animar o Carnaval do ´progresso a qualquer preço´. Não importa quanto aumente o desmatamento ou o aquecimento global, derrame óleo nos mares, ou vaze radiação nuclear, vai ficar tudo numa boa. O 'bloco dos contentes' tem fé na ciência e na tecnologia salvadoras e que logo logo darão um jeito em tudo, e ainda farão poluição e destruição ambiental dar lucros com máquinas maravilhosas transformando lixo e esgoto em energia e devolvendo recursos naturais ao Planeta! Quem tiver um lixão que o guarde bem, pois valerá seu peso em ouro! Água poluída, então, nem se fala! Com o reúso vai até sobrar dinheiro no caixa das empresas que não precisarão mais comprar água para resfriar processos! Os engarrafamentos se transformarão numa das novas maravilhas desse novo mundo, com carros emitindo apenas vapor d'água, verdadeiras ilhas de conforto com ar-condicionado movidos a energia solar e equipamentos de som e vídeo de dar inveja a qualquer discoteca das mais avançadas.
* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente ( www.portaldomeioambiente.org.br ). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – www.escritorvilmarberna.com.br

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Contradizes

A música ao violão era agradável aos ouvidos de quem chegava ao Teatro José de Alencar, na tarde desta quarta-feira, 20, para a estreia da peça Contradizes, apresentada pelo Curso de Princípios Básicos de Teatro, 2011, manhã. As pessoas recebiam as senhas no balcão e eram instadas a aguardar no pátio. 15 horas soa a campainha. Forma-se rapidamente a fila. Suspense. Aviso: “atenção, devido a um problema técnico com a iluminação, teremos um atraso de 30 minutos”. Dispersão. Os atrasados acabaram beneficiados.


15h30min. Novo sinal da campainha. A fila, já formada, aguarda mais 15 minutos para poder entrar. Palco principal. Já com os atores no cenário. Luzes apagadas. Tropeços. Busca de arquibancadas. Celulares que tocam. Pessoas que conversam.

15h45min. Começa o espetáculo. Dois grupos de atores podiam ser vistos. Uns em pé. Outros abraçados e tão bem enroscados que pareciam apenas três, ou, no máximo, quatro. Ao se desenroscarem e ficarem de pé eram sete. Ao centro, duas cadeiras, uma de frente, com um nariz de palhaço, outra de lado. Entra o primeiro personagem pelo lado, dá dez passos, dança, faz gestos, senta na cadeira que está vazia, pega o nariz de palhaço. Cada vez que o coloca sobre o nariz, toca uma música, ele se alegra; tira o nariz, a música se acaba ele se entristece.

Os 17 atores estão todos com um figurino cinza, tipo macacão, com as 20 unhas pintadas em um tom pouco mais escuro que a roupa. Atuavam em grupos distintos. Às vezes em dupla. Ora dançavam. Ora grunhiam. Os grupos, tal qual um exercício que fiz esta semana na Oficina de Dança com Andréia Pires e Daniel Pizamiglio, executavam tarefas distintas em seu espaço do palco.

Juntos cantaram: “Beijei a boca da noite e engoli milhões de estrelas, fiquei iluminado e me acordei mil anos depois por trás do Universo”. Neste momento lembrei-me de Raul Seixas. Mas, na verdade, o texto é extraído do poema Ação Gigantesca, de Mário Gomes.

Contradizes fala de mundos paralelos, fantásticos que, como diz o nome, se contrapõem. Fala também de sonhos, devaneios, ilusões. Nada é somente bom ou inteiramente mau. É tão feio ou intensamente belo. É puramente forte ou simplesmente fraco. Tudo se reflete na emoção filosófica e psicológica do ser humano. Mostra como cada indivíduo encara a vida e o significado. O nariz de palhaço significa a alegria e a retração de cada um de nós e mostra a dualidade humana.

Em cartaz de 20 de julho até domingo, 24, às 15h e 18h no Teatro José de Alencar, Centro de Fortaleza. Vale conferir.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Falando francamente sobre consumo e consumismo

- por Vilmar Berna*
Somos, por natureza, seres consumidores e estamos no topo da cadeia alimentar. Logo, consumir é nosso destino natural, o problema são os excessos. Excesso de gente, que já está demais e que continua se multiplicando globalmente, embora se reduza em diversos países e regiões. Cada boca que nasce demanda por mais recursos naturais, que não são infinitos. Mas existe um excesso ainda pior, o da desigualdade social, que permite que uns poucos possam se apropriar de mais recursos que a maioria, ou seja, não adiantará muito diminuir o excesso de gente sem também diminuir a ganância.
O mundo atual se construiu em torno da falsa idéia de que o mercado será capaz de suprir as necessidades humanas, a ponto de aceitarmos a organização da sociedade em classes sociais em função do poder de consumo. Quem pode consumir muito pertence às classes altas, os remediados, à classe media, e os pobres, às classes baixas. A reboque do conceito do poder aquisitivo surge quase que naturalmente a falsa noção de que os que tem muito são mais importantes e com mais direitos do que os que não tem, e isso é absolutamente falso, pois somos todos iguais em dignidade e direitos. O mercado só consegue ser solução para os que têm dinheiro. Para os demais, é preciso políticas públicas.
O problema não está só no colapso ambiental, mas no colapso ético e moral que nos põe em risco enquanto humanidade e civilização muito antes de desaparecermos enquanto espécie. Se as pessoas aceitarem a idéia de uma sociedade que valoriza o dinheiro acima dos valores humanos, acumular riquezas pode se tornar um fim em si mesmo em vez de meio de vida, aliás, a própria idéia de vida pode se empobrecer a ponto de se resumir a produzir numa ponta e consumir na outra. Bem longe da idéia de viver em abundância e plenamente. Em vez de nos tornarmos mais solidários e cultivarmos bons valores e a cidadania, acabaremos valorizando muito mais o individualismo, o materialismo, a competição desmedida, a insensibilidade com os menos favorecidos.

E tudo isso baseado numa mentira, a de que se todos alcançarem os mesmos padrões de consumo dos mais ricos, será possível haver recursos naturais para todos. Fazer com que todos acreditem nesta mentira é conveniente para os que dominam e controlam os recursos e as riquezas, pois em vez de pedir por mudanças, as pessoas irão querer que tudo continue como está na esperança de que um dia chegará a sua vez e que só não chegou ainda por que não foram capazes ou merecedores o suficiente. Não é de se admirar que seja tão difícil ser sustentável e compatibilizar progresso e meio ambiente.
Mas não é impossível. Não só outro mundo é possível como já vemos por todos os lados os sinais dessa mudança. Por mais que alguns gostem de se iludir com falsas promessas de consumo, elas percebem os sinais de esgotamento do Planeta. Um novo mundo já esta nascendo do velho mundo, e o que assistimos são as dores do parto.

Precisamos é de coragem para persistir nos caminhos da mudança e valorizar escolhas diferentes das que trouxeram a humanidade à beira do colapso.

Não temos que comprar tudo o que vemos nas prateleiras. Não temos de acreditar em tudo o que se diz nas propagandas e devemos duvidar das informações tendenciosas, mentirosas e manipuladores. Não temos que seguir a moda e descartar um produto que ainda serve. Não precisamos de nenhum bem de consumo para amar e ser amados, ou para sermos felizes, ou para nos sentirmos importantes e reconhecidos socialmente.
Da mesma maneira que temos a liberdade de consumir o que nosso dinheiro ou crédito a perder de vista nos permite, também temos a liberdade de recusar o consumo desperdiçador de recursos. Podemos escolher consumir criteriosamente, apenas para atender a necessidades objetivas e realmente necessárias, preferir produtos socioambientalmente responsáveis, recicláveis, que fortaleçam as cadeias produtivas locais e a criatividade de nossos trabalhadores e artesãos. Podemos consumir de maneira planejada em vez de agir por impulso. Temos o poder de dizer sim e também de dizer não. Somos nós o poder do mercado.

Não foi o consumismo que nos fez assim. Ele apenas aproveitou a oportunidade por sermos assim e encheu as lojas e prateleiras e nossos sonhos e desejos de bugigangas e objetos que no final podem nem ser tão importantes para vivermos uma vida plena e feliz.

Os inimigos não estão fora de nós. Para resolvermos a crise socioambiental em que nos metemos, teremos de ter a coragem de admitir que somos uma parte importante do problema - e também da solução.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente ( www.portaldomeioambiente.org.br ). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas - http://www.escritorvilmarberna.com.br/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A sétima arte e a ecologia

A Internet é a fonte para todas as buscas e o Dr. Google, o mestre que responde a todas as perguntas. O meu filho e, imagino, todos os estudantes, do primário ao universitário, já não realizam mais tarefas escolares sem a utilização dessa preciosa ferramenta. O perigo é não citar a fonte. Vários alunos meus na Faculdade caíram nessa esparrela, ao copiarem a resenha de um filme direto do Google. Perderam o ponto e tiveram que ir para a prova final.

Eu também faço as minhas buscas, mas sempre tenho cuidado de citar a fonte do saber, pois ninguém apenas ensina ou aprende; a vida é uma troca de saberes, esteja você na bancada do professor, na carteira do aluno, na chefia de um trabalho ou sendo subordinado, todos temos algo a aprender e a ensinar. Descobri no Blog Listas de 10 e repasso a dica de 10 filmes sobre ecologia. Para quem gosta de cinema, vale a pena ir ao http://listasde10.blogspot.com/2009/12/10-filmes-sobre-ecologia.html e conferir outras listas de 10.

Além do Dersu Uzala, cuja dica está ao lado, o Blog fala sobre:

Uma Verdade Inconveniente (o ex-vice presidente dos EUA, Al Gore, apresenta dados chocantes do aquecimento global, mostrando verdades e mitos e apontando saídas para salvar o planeta, enquanto é tempo. Gore sempre foi ecologista militante e este filme, fora algumas generalizações exageradas, tem importância na conscientização da população. o ex-vice - e, melhor dizendo, o filme - ganhou o prêmio Nobel da Paz por seu trabalho).

No Mundo de 2020 - Soylent Green (apesar do título nacional, o filme se passa em 2022, ufa! teremos 2 anos a mais! Charlton Heston é policial e investiga a morte de um magnata, produtor dos tabletes soylent green, o único alimento consumido pela população oprimida. Comida de verdade, só para os ricos. É chocante descobrir do que são feitos os tabletes. Lançado em 1973, foi encarado como ficção científica, hoje não parece tão improvável).

Wall-E (mais uma lista para esta animação. No passado, a população teve que abandonar o planeta, poluído demais e inabitável, deixando para trás um robozinho compactador de lixo. Séculos depois, a possibilidade de vida ressurge e a população pode reconstruir o planeta. Denúncia que não deve ser coadjuvante na compreensão do filme).

Síndrome da China (durante a gravação de matéria numa usina nuclear, a repórter e seu cinegrafista - Jane Fonda e Michael Douglas - presenciam um incidente, que causa apreensão geral. Mas a usina pressiona a rede para não publicar nada. Com a ajuda de um engenheiro - Jack Lemmon - eles descobrem que foi um fato gravíssimo, uma fissão que poderia penetrar a terra e "chegar à China", por isso o título. Filme premonitório dos graves acidentes ocorridos na União Soviética anos depois e em Fukushima, Japão, este ano de 2011!).


Silkwood, Retrato de uma Coragem (história real de trabalhadora de usina nuclear - Meryl Streep - que denuncia o ambiente insalubre e a insegurança deste tipo de instalação e acaba morta em circunstâncias mal-explicadas).

Erin Brockovich, uma Mulher de Talento (Julia Roberts é uma mãe solteira, que perde uma ação e exige ser empregada no escritório de seu advogado. Arquivando casos, ela descobre que uma grande fábrica tem poluído sistematicamente as águas da pequena cidade onde está instalada e isso tem ocasionado diversos casos de câncer na população. Baseado em história real).

Gomorra (entre as histórias deste filme-denúncia da máfia napolitana, está o lucrativo esquema de vender terras para despejar dejetos tóxicos, que transformam a área rural da cidade num ambiente perigoso. O lixo tóxico é um dos grandes problemas a se resolver, vide o caso dos containeres devolvidos para a Inglaterra).

Waterworld, o Segredo das Águas (num futuro não tão distante, o derretimento das camadas polares deixou o planeta sem terras sólidas, com os sobreviventes vivendo em ilhas artificiais e barcos. Kevin Costner é um ser anfíbio em busca do único ponto de terra firme que sobrou. Filme de Kevin Reynolds).

Corrida Silenciosa (Bruce Dern é um botânico que completa 3 anos a bordo de um cargueiro espacial, cuidando dos últimos espécimes botânicos que restaram no planeta Terra sob enormes domos. Quando recebe ordens de destruir o projeto e voltar para casa, ele sequestra a nave, mata os colegas tripulantes e inicia uma fuga solitária).

Recomendaria, ainda, o documentário, A 11ª Hora, de Leonardo DiCaprio, que mostra vários especialistas, em tom pedagógico, explicando como será possível evitar o desastre, algumas horas antes de que aconteça o pior. Urge uma total mudança de paradigma e de se adotar um modelo distinto de produção e consumo. O Planeta, como de outras vezes, com certeza sobreviverá, mas algumas espécies, como já ocorreu com os dinossauros, poderão se extinguir. Dessa vez poderá ser a espécie humana. Como diz o colunista: "Quem sobreviver, verá!"

sábado, 25 de junho de 2011

Sem motivos para amar?

(Recebi de Jane)


Pablo Massolar

Existe amor que dure a vida toda, que a tudo perdoe e não se desanime? Existe amor que se renova todos os dias porque tudo sofre, tudo espera, tudo crê?
Minha ingênua e sincera fé diz que sim, mas muitas vezes [às vezes a maioria das vezes] o meu coração/razão/vontade não encontra tal amor... ou, se ele está lá... se cansa de tentar procurá-lo e fazer reviver um sentimento assim. Não por falta de forças ou de coragem, mas por falta de motivos.
Onde encontrar motivos para amar, então? É possível encontrá-los quando já não queremos ou temos medo de nos machucarmos de novo?
Talvez as perguntas estejam sendo feitas da maneira errada, mas não sem verdade existencial... Todo mundo procura por estes motivos de vez em quando... Eu gostaria que minha resposta fosse tão simples quanto procurar no “Google”, mas eu não tenho boas notícias sobre encontrar motivos para amar, geralmente nunca se acha um bom motivo para se fazer isto.. É mais fácil não ter motivo para amar. Recusar-se a amar e trancafiar-se solitariamente dentro de uma torre alta ou mosteiro celibatário talvez seja a solução menos dolorosa.

Não amar evitaria comprometer o amor e a vida de mais algum inocente, quando, por exemplo, duas pessoas se amam e se deixam ser amadas, mas logo no início de suas caminhadas descobrem que é perigoso demais abrir o coração não só ao amor, mas às frustrações e confrontos que a vida a dois sempre causa. Ou, quem sabe, depois de muitos anos de caminhada juntos, descobrem que o motivo para se amar acabou faz tempo ou nunca, de fato, existiu. Donzelas amáveis e príncipes heróis encantados, cavalos brancos e o salvamento da princesa da torre são divertidos e empolgantes nas primeiras vezes, mas se torna enfadonho ter que se trancar na torre de novo para se proteger de uma dor ou de escalá-la perigosamente a fim de encontrar aventuras e motivações para amar todos os dias.
Não amar certamente anularia as dores e desilusões destes momentos, mas não é a decisão mais completa a ser tomada. Particularmente não creio que exista gente que foi feita para não amar; e também não creio em amor que vai e vem, que sobe e desce. Acredito no amor que fica, mesmo amassado, ferido, sozinho e nos faz ter esperança de ver hoje, no nosso agora dolorido, um horizonte amanhã, doce e ensolarado, talvez distante, mas alcançável de dias melhores, mais fáceis para se amar. Dificilmente encontra-se um bom motivo para amar persistentemente, mas quem disse que o verdadeiro amor precisa de motivos para ser amor?
O que me faz amar com vontade de amar não é o motivo, mas a consciência da existência inequívoca deste amor que está aqui dentro sem saber como. Não sei explicar, muito provavelmente ninguém conseguirá explicar, porque o amor é assim, mais forte que a morte, dolorosamente persistente, irrevogavelmente amante, paciente e benigno mesmo sem motivos. Já tentei entendê-lo, mas eu sei que só posso senti-lo.
O bom e verdadeiro amor não precisa saber dos motivos, jamais os procura ou avalia se é possível ou não amar, só sabe que sente amor e pronto. Vai lá de peito e vida abertos. Ele lança fora todo o medo, ainda que se tenha de matar um leão por dia e a gente vá deitar cansado todas as noites.
O amor sobrevive mesmo é de mãos dadas com a fé e a esperança. O abraço dado, o beijo paciente, a presença carinhosa certamente são expressões do amor, são veículos para nos sinalizar que ele existe e nos dar novo ânimo, mas quando não os encontramos não significa que não podemos amar ou que nos faltam motivos. Dificilmente entenderemos ou reconheceremos o verdadeiro amor somente nos atos e gestos físicos. O amor manifesta-se em dom/dádiva, no que é dado sem buscar interesses próprios, nem mesmo os interesses de atender às nossas carências afetivas são válidos para buscar amar. O amor manifesta-se sem motivo aparente, até sem condições, vem como um rolo compressor ou uma simples brisa, mas vem.
É possível negligenciar o amor, fazer de conta que não existe ou abafá-lo. É possível ficar tão duro ao amor que, mesmo ele existindo, não se queira mais senti-lo. O medo da dor pode causar tudo isso, mas podemos escolher viver por medo e não deixar o amor em paz ou por fé e esperança e fazê-lo brilhar como um sol.
Amar é a capacidade de doar-se sem querer nada em troca, talvez por isso o Senhor tenha dito que, no final dos tempos, o amor se esfriaria de quase todos. Uma sociedade que luta por poder e prestígio, que compra todas as coisas, admiração e domínio, que concorre traiçoeiramente pelos melhores lugares e pisa em cima de qualquer ameaça não entende nem aceita dar sem querer qualquer coisa como pagamento. Pessoas que se amam, mas se interessam mais por disputar quem ama mais do que simplesmente amar, gente que não sabe amar só por amar corre o sério risco de ver esfriar a sensibilidade ao amor.
Logo, não existe pagamento para quem ama de verdade. E quem assim ama, não aceita tais trocas e barganhas. Continua dando, amando, crendo e alimentando a esperança não do fim, mas do recomeço pleno e movido pela alegria de simplesmente amar todos os dias, tudo sofrendo, tudo crendo e tudo esperando, até mesmo o ressurgir da sensibilidade de amar.
O Deus que assim ama te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 2011

Nota importante: Jesus ensinou a dar de graça o que recebemos de graça. Se esta mensagem, de alguma forma, lhe fez bem, então provavelmente ela poderá fazer bem para outras pessoas que você conheça. Gostaria de sugerir, se não for constrangimento para você, que compartilhasse e encaminhasse este e-mail para o seu círculo de amigos e conhecidos. Fazendo isto você potencializa, em muito, o alcance da Palavra que já fez tanto bem aos nossos corações.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Miséria do Jornalismo



Como nunca antes na História deste País, toda vez que alguma coisa beneficia os mais pobres, é chamada de populismo. Existe populismo de direita, que agrada ao patronato e aos governantes? Sim, há. É o q faz o senhor Fábio Campos no O Povo de 9 de junho de 2011.
O amigo Fábio Campos diz que as "criancinhas" estão passando fome devido a greve dos professores. Populismo barato, senhor Campos. E quando não há greve, por que milhares de cearenses passam fome ou se alimentam mal?
Passam fome, Fábio Campos, porque o modelo econômico atual, o de Cid, que igual ao de Lúcio, que é igual ao de Ciro, que é igual ao de Tasso, é concentrador de renda, beneficia os mais ricos em detrimento dos pobres. Será que esse modelo é discutido pelos meios de comunicação com ênfase? Não, nao é. Não é bom irritar os donos do poder no Ceará.
Diz Fábio Campos que as crianças fora da escola geram problemas para as famílias. De forma emotiva, fala até de criancinhas remexendo lixo nas ruas. Quase fui às lágrimas nesse ponto. Poxa, Fábio Campos, você finalmente percebeu que há crianças nas ruas, comendo lixo, porque os professores estão em greve? Malditos sejam estes professores!
Percebe-se claramente que Fábio Campos desconhece por completo a realidade da escola pública. Fala do que não entende. Diz Fábio Campos que a maioria dos professores ganha o piso. Caro jornalista, procure se enteirar sobre a lei do Piso. A Lei do Piso não trata só de salário, não, meu caro- tem um bocado de coisa, que NENHUM governante do Ceará está cumprindo. Camarada Fábio, procure na internet a Lei do Piso. Há uma decisão do STF mandando cumpri-la. Cid e Luizianne não estão - ao contrário, enganam a opinião pública, pois estão alterando os Planos de Cargos e Carreira para burlar a referida Lei. Se há alguém cometendo ilegalidade aqui são os governantes, caro Fábio, não os professores.
O companheiro Fábio Campos diz ainda que os sindicatos não são legítimos, pois apenas alguns professores participam das assembleias e da greve em nome da categoria. Os professores, Fábio Campos, elegem os sindicalistas para representá-los. É a mesma coisa de um deputado ou um vereador. Na sua lógica, o Poder Legislativo seria ilegítimo também. Não é preciso, Fábio Campos, que toda a população esteja presente quando da votação de uma lei - os deputados não "representam o povo"? Um povo que cada vez mais se queda desamparado diante um Estado que não cumpre suas funções sociais e é usado para beneficiar grupelhos de empresários.

Atenciosamente
Airton de Farias
Professor e Historiador